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REVISTA FORMAS & MEIOS
Desde: 03/02/2005      Publicadas: 754      Atualização: 31/10/2005

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 CLÁSSICA

  11/05/2005
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VARIAÇÕES SÔBRE BACH

Na Alemanha do século XVIII, Johann Sebastian Bach era considerado em todo país apenas como organista virtuoso. Como compositor, entretanto, ele despertava um interesse mais condescendente - dizem que até mesmo o seu filho, Carl Philipp Emanuel, um dos quatro que se distinguiram como compositores, referia-se a ele com desdém. Hoje, naturalmente, Bach é universalmente colocado entre os criadores extraordinários da civilização ocidental. Os corais que ele compôs para colegiais desajustados e turbulentos cantarem em míseras igrejas de províncias são apreciadas pelos melhores côros do mundo. Exercícios de piano que rabiscara para a educação musical de seus filhos e alunos ainda seduzem e desafiam grandes virtuosos. Não sabe-se Bach foi realmente um gênio, ou se os considerados gênios sofrem de algum distúrbio de criação, pois até mesmo peças instrumentais que Bach compôs para agradar principetes obscuros são incluídas entre as glórias da música de câmara. Ninguém poderá negar a grandeza de Bach que é reconhecida quase dois séculos.

Em 1950 haviam uns 18 álbuns de Bach no mercado; hoje há mais de 1000, inclusive 18 versões rivais dos Concertos de Brandemburgo e 15 interpretações da missa em Si Menor. Há um fato curioso no novo público de Bach, é a sua juventude. " Estudantes esperam em filas durante horas para conseguirem um lugar em pé num recital de Bach " comentou maravilhado o organista Helmut Walcha. O que atrai os jovens para Bach é o que atrai para quase qualquer outra música: o ritmo. Artistas do passado julgaram a música de Bach, a romancista francesa Colette comparou a música de Bach a uma monótona jiga - " uma sublime máquina de costura ". Segundo o pianista Glenn Gould, " há uma ponte entre as idéias de ritmos de Bach e as de meados do século XX " e foi criada pela música popular e pelo jazz. Os Swingle Singers, um grupo de oito componentes com base em Paris, dirigido pelo americano Ward Swingle, popularizaram partituras de Bach cantando seus temas com acompanhamento de uma seção rítmica de jazz. Sua linha de baixos linear, suas melodias contrapontísticas e improvisação livre, tudo sugere paralelos com o jazz - paralelos que foram explorados ao extremo pelos executantes do Modern Jazz Quartet. Técnicamente, Bach fora o compositor mais completo da história da música. Seu domínio de recursos contrapontísticos como fugas e cânones, manejos de formas especiais como o concerto e aria da capo, seu senso fantástico da conexão íntima de qualquer estrutura grande, tudo nos parece ciência pura onde se funde com a estética. Tudo isto torna a música de Bach um inexaurível desafio e um prazer para os executantes. O violoncelista Pablo Casals, durante toda a sua vida começava o dia tocando no piano prelúdios e fugas do Cravo Bem Temperado. Afirmou em entrevista ao jornal Time.

VARIAÇÕES SÔBRE BACHO NASCIMENTO

Bach nasceu em 1685, em Eisenach, uma cidade na orla da Floresta da Turíngia, sob o domínio de Wartburg - o castelo medieval onde Lutero traduziu o Novo Testamento para o alemão - , na década de 1520. O jovem Sebastian estudou com seu pai violinista até que ficou órfão aos 9 anos e então continuou os estudos com um irmão mais velho que era organista. Fez um sólido curso secundário - clássicos e teologia e alguma experiência de menino de côro, aos 19 anos iniciou carreira de músico assalariado. A teimosia e seu genio forte levara várias vezes a entrar em conflito com seus chefes civis e cléricais. Mereceu pouca ou quase nenhuma atenção por suas composições e teve de ouvir queixas de que sua execução no órgão confundia a congregação com "variações surpreendentes e ornamentos inúteis". Mas Bach insistiu no estudo dos melhores compositores europeus, especialmente italianos como Vivaldi e Corelli. Em 1707 casou-se com sua prima Maria Bárbara Bach, a primeira de suas duas esposas, e em 1708, nasceu o primeiro de seus 20 filhos ( dos quais 10 faleceram na infância). Aos 23 anos Bach entrou para a côrte do Duque Wilhelm Ernst de Weimar como violinista e organista. Durante 9 anos ele fora aclamado como virtuoso de órgão e compôs suas primeiras grandes obras para esse instrumento: Tocata e Fuga em Ré Menor, Passacaglia em Dó Menor. A proporção que sua fama se espalhava pela Alemanha, cidades e igrejas o convidavam a experimentar órgãos novos, sempre uma ocasião para beber vinho, jantar e exibições musicais. Preterido para o cargo de maestro da corte em Weimar, Bach conseguiu posição semelhante com o Príncipe Leopold de Anhalt - Cöthen. Sua deserção contrariou tanto o Duque Wilhelm que Bach ficou preso em Weimar por um mês.
Quando chegou a Cöthen, dedicou cinco anos a soberbas peças para cravo e música de câmara, inclusive as Suites francesas para cravos, e os seis Concertos de Brandemburgo . Sua sorte declinara em Cöthen depois que o Príncipe Leopold se casou com uma mulher que não apreciava música. Ele aceitou o pôsto de mestre de côro da Escola São Tomás, em Leipzig. Depois da morte de sua mulher Bárbara, ele se casau com uma cantora profissional - Anna Magdalena Wülken, em 1721 ; e lhe deu 13 filhos. Nos 15 anos que se seguiram, conseguiu compor missas, oratórios, paixões e grande parte das 295 cantatas. Nas composições que fez quando tinha entre 50 e 60 anos, Bach reuniu a habilidade acumulada durante toda a vida: as variações de Goldberg, para cravo; os Prelúdios do Catecismo, para órgão.

FUGA INACABADA

A Arte de fuga, inacabada. Mistério Eterno. Durante toda a sua velhice, seu único triunfo mundano foi oferecido por Frederico "o grande" da Prússia, talentoso músico amador, convidou-o para ir a sua côrte de Potsdam . Ao chegar, o rei exclamou "O velho Bach está aqui!". Depois de sua morte foi chorado como exímio organista e professor, mas durante 70 anos sua reputação como compositor foi mantida viva apenas por uns poucos entusiastas e compositores, notadamente Mozart e Beethoven. O início do conceito moderno ocorreu nos primeiros anos de 1900 com, entre outras publicações, o estudo de Albert Schweitzer, J.S.Bach. Depois a clavecinista Wanda Landowska, Pablo Casals e o violonista Andrés Segóvia uniram-se numa verdadeira cruzada para dar à música de Bach maior autenticidade e auditório mais amplo. De qualquer forma, um artista que pareceu tão antiquado a seus comtemporâneos pareça tão avançado a seus sucessores. Pode-se dizer que a história da música tem consistido numa série de variações sobre Bach, e que ele dividiu a história da música em dois períodos básicos: pré-Bach e pós- Bach. E na era pós-Bach ele é presença perpétua.
Quando chegou a Cöthen, dedicou cinco anos a soberbas peças para cravo e música de câmara, inclusive as Suites francesas para cravos, e os seis Concertos de Brandemburgo . Sua sorte declinara em Cöthen depois que o Príncipe Leopold se casou com uma mulher que não apreciava música. Ele aceitou o pôsto de mestre de côro da Escola São Tomás, em Leipzig. Depois da morte de sua mulher Bárbara, ele se casau com uma cantora profissional - Anna Magdalena Wülken, em 1721 ; e lhe deu 13 filhos. Nos 15 anos que se seguiram, conseguiu compor missas, oratórios, paixões e grande parte das 295 cantatas. Nas composições que fez quando tinha entre 50 e 60 anos, Bach reuniu a habilidade acumulada durante toda a vida: as variações de Goldberg, para cravo; os Prelúdios do Catecismo, para órgão; A Arte de fuga, inacabada. Mistério Eterno. Durante toda a sua velhice, seu único triunfo mundano foi oferecido por Frederico "o grande" da Prússia, talentoso músico amador, convidou-o para ir a sua côrte de Potsdam . Ao chegar, o rei exclamou "O velho Bach está aqui!". Depois de sua morte foi chorado como exímio organista e professor, mas durante 70 anos sua reputação como compositor foi mantida viva apenas por uns poucos entusiastas e compositores, notadamente Mozart e Beethoven. O início do conceito moderno ocorreu nos primeiros anos de 1900 com, entre outras publicações, o estudo de Albert Schweitzer, J.S.Bach. Depois a clavecinista Wanda Landowska, Pablo Casals e o violonista Andrés Segóvia uniram-se numa verdadeira cruzada para dar à música de Bach maior autenticidade e auditório mais amplo. De qualquer forma, um artista que pareceu tão antiquado a seus comtemporâneos pareça tão avançado a seus sucessores. Pode-se dizer que a história da música tem consistido numa série de variações sobre Bach, e que ele dividiu a história da música em dois períodos básicos: pré-Bach e pós- Bach. E na era pós-Bach ele é presença perpétua.
[ Francisco Martins ]



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